Ciência

Publicado em 15/09/2016

Experimento científico abre caminho para a reprodução de filhos sem mãe

No ano passado, o Parlamento britânico aprovou a regulamentação de uma técnica que permite a produção de embriões humanos com material genético de duas mães e um pai, de forma a livrar as crianças do risco de doenças provocadas por defeitos nas mitocôndrias, as “usinas de energia” de nossas células.

Agora, um grupo de pesquisadores no mesmo Reino Unido mostrou que no futuro talvez seja possível criar também embriões com dois pais e sem mãe, derrubando no caminho um dogma científico de quase dois séculos, segundo o qual só um óvulo em estado natural seria capaz de ativar alterações na atividade dos genes de um espermatozoide para dar origem a uma prole saudável.

No experimento, realizado com camundongos, os cientistas liderados por Tony Perry, do Departamento de Biologia e Bioquímica da Universidade de Bath, no Sudoeste da Inglaterra, usaram tratamentos químicos para “enganar” óvulos e fazer com que eles começassem a se desenvolver em embriões sem terem sido fertilizados. Mas, com apenas metade do código genético necessário para formar um organismo, estes embriões haploides, conhecidos como partenotos, são inviáveis, morrendo em poucos dias. Antes disso, no entanto, os pesquisadores injetaram neles espermatozoides, fornecendo a segunda metade dos pares de cromossomos necessários para que continuassem a se desenvolver num ser diploide.

— Esta é a primeira vez que se alcançou um desenvolvimento a termo com a injeção de espermatozoides em embriões — diz Perry, autor sênior de artigo que relata a experiência e seus resultados, publicado ontem no periódico científico “Nature Communications”. — Pensava-se que só um óvulo era capaz de reprogramar o espermatozoide para permitir que o desenvolvimento embrionário ocorresse. Nosso trabalho desafia o dogma, estabelecido desde que os antigos embriologistas observaram pela primeira vez os óvulos de mamíferos em 1827 e a fertilização 50 anos depois, segundo o qual só um óvulo fertilizado com um espermatozoide pode resultar no nascimento de um mamífero vivo.

Fonte: O Globo






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